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A nova salvaguarda do aço da UE: cota pela metade e um muro de 50% para o exportador brasileiro
Jul 13, 2026 · 7 min read

In short
A salvaguarda revista do aço da UE está em vigor desde 1 de julho de 2026, substituindo o regime que valia desde 2019. Ela fixa uma cota anual única livre de tarifa de cerca de 18,3 milhões de toneladas nas 26 categorias de produtos de aço — aproximadamente 47% abaixo do volume importado em 2024 — e cobra 50% de tarifa fora da cota, o dobro dos 25% anteriores. Metade da cota é reservada aos parceiros de acordo de livre comércio da UE; a outra metade fica aberta a todos os fornecedores em regime competitivo, com fatias por país para quem teve pelo menos 5% das importações da UE de um dado produto em 2022–2024. Como o acordo UE–Mercosul foi assinado mas ainda não está em vigor, o Brasil não está na metade reservada aos parceiros — disputa no pool aberto e a cota específica que seu histórico lhe garantiu. A partir de 1 de outubro de 2026 o importador também precisa comprovar onde o aço foi fundido e vazado. Para as siderúrgicas brasileiras isso se soma aos custos de carbono do CBAM e recompensa quem embarca cedo no ano da cota.
Desde 1 de julho de 2026 a UE opera uma salvaguarda do aço reconstruída, e ela é sensivelmente mais dura do que a anterior. A medida fixa uma cota anual única livre de tarifa de cerca de 18,3 milhões de toneladas nas 26 categorias de produtos de aço que cobre — aproximadamente 47% abaixo do volume importado em 2024 — e todo aço que chega acima desse teto passa a pagar 50% de tarifa, o dobro dos 25% do regime antigo. O regulamento entrou em vigor em 25 de junho e as cotas abriram em 1 de julho, ou seja, já está valendo, não é proposta. Ele substitui a salvaguarda que regia as importações de aço da UE desde 2019.
A cota é dividida em duas partes. Uma metade é reservada aos parceiros de acordo de livre comércio da UE; a outra fica aberta a todos os fornecedores em regime competitivo, por ordem de chegada. Dentro desse pool aberto, todo país que forneceu pelo menos 5% das importações da UE de um determinado produto de aço no período de referência de 2022–2024 recebe uma fatia específica, enquanto fornecedores menores disputam um pool residual. A lógica do desenho é direcionar o volume escasso livre de tarifa aos parceiros com quem a UE tem acordo, e deixar os demais competindo pelo que sobra.
É aqui que o corredor pesa. O acordo UE–Mercosul foi assinado, mas ainda não foi ratificado nem entrou em vigor, então o Brasil não conta como parceiro de livre comércio para efeito daquela metade reservada. Na prática, o aço brasileiro compete no pool aberto, mais a cota específica que seu histórico recente de exportação lhe garantiu. Brasília contesta que os limites país a país foram fixados de forma unilateral, e não negociados, e pressiona por compensação sob as regras da OMC. Se e quando o Mercosul entrar em vigor, a posição do Brasil pode melhorar; até lá, a metade reservada está fechada para ele.
Dois detalhes definem a exposição real. Primeiro, as cotas de salvaguarda enchem à medida que os embarques chegam, então, esgotado o volume livre de tarifa de uma categoria, os 50% passam a incidir sobre tudo o que vier depois no resto do período — o momento do embarque dentro do ano da cota não é detalhe, é a diferença entre 0% e 50%. Os embarques brasileiros de aço para a UE subiram forte no início de 2026, cerca de 47% na comparação anual em maio, o que antecipa a demanda e adianta o esgotamento do teto. Segundo, a partir de 1 de outubro de 2026 o importador precisa comprovar onde o aço foi originalmente fundido e vazado ("melt and pour"), em geral por um certificado de ensaio da usina — um passo de rastreabilidade que as siderúrgicas brasileiras precisarão fornecer sem falhas para manter a mercadoria em movimento.
Para o exportador brasileiro o trabalho prático é sem glamour, mas decisivo: saber em qual das 26 categorias seu produto se enquadra, acompanhar quão cheia está a cota daquela categoria antes de embarcar e modelar o custo posto (landed cost) tanto dentro da cota quanto à alíquota de 50% fora dela — lembrando que os custos de carbono do CBAM também incidem sobre o aço. A medida não fecha o mercado da UE, mas faz do momento e do papelório algo que vale dinheiro de verdade. Um Opportunity Scan curto pode mapear seu produto à categoria, indicar onde está a cota e dimensionar a exposição à tarifa antes que ela vire surpresa na aduana.
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